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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Discurso em Plenário sobre encontro das Comissões da Verdade de todo País



Sr. Presidente, colegas Parlamentares, senhoras e senhores telespectadores, nos próximos dias 27 e 28, as Comissões da Verdade, criadas pela sociedade civil em todo o País, vão reunir-se, pela primeira vez, para discutir o trabalho de integração de esforços em busca da verdade sobre crimes da ditadura militar contra os direitos humanos — crimes de lesa-humanidade — em complementação, em apoio ao trabalho da Comissão Nacional da Verdade.

Por sinal, além de representantes das dezenas de comissões existentes em todo o País, estarão presentes também, no terceiro dia de trabalho (29), representantes da Comissão Nacional da Verdade. Eles pretendem acertar as ações conjuntas, para que, no tempo em que ainda resta de trabalho desta Comissão, consiga apresentar resultados concretos, dar mais visibilidade e apresentar relatórios parciais, a fim de que a sociedade acompanhe e entenda os resultados concretos que estão sendo levantados no final desses dois anos de trabalho da Comissão Nacional da Verdade.

Porque, senão, vai frustrar a sociedade brasileira, particularmente aqueles que lutaram, resistiram e foram vítimas do regime civil militar.

Para isso, a sociedade se mobiliza, inclusive em apoio à possibilidade e à necessidade de revisão da Lei da Anistia. Por sinal, há um projeto de lei tramitando nesta Casa, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, no sentido de que esse encontro nacional vai trazer aporte, elementos, contribuições e, mais que isso, força política da sociedade civil brasileira na perspectiva do cumprimento integral de uma missão histórica da Comissão Nacional da Verdade e também das comissões que estão se dando no âmbito da sociedade civil.

Agradeço a atenção de todos os presentes e daqueles que nos assistem pela TV Câmara.

Dep. Federal Luiza Erundina de Sousa 

Foto: Agência Câmara

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Discurso da Dep. Luiza Erundina na plenária do Vereador Carlos Néder 04/08/2012




Saúdo o companheiro Haddad, futuro prefeito de São Paulo, e a querida Zilá Abramo, símbolo da luta pelo socialismo no Brasil, esposa do saudoso Perseu Abramo que foi secretário de comunicação do nosso governo e que nos ajudou a construir uma política de comunicação séria, responsável e competente. Obrigada Zilá por você e pelo Perseu que nos inspiraram na nossa militância política. Cumprimento também a companheira Rosalina Santa Cruz. Estamos juntas desde a luta dos(as) assistentes sociais na década de 70 e que nos ajudou como  secretária do Bem-Estar Social, quando governamos a cidade de São Paulo. Saúdo também Muna Zeyn, parceira de muitas lutas e que tem nos ajudado a atravessar momentos difíceis e a vencer enormes desafios. Sou grata a essas duas companheiras que têm sido uma força nessa caminhada que Deus e a história colocaram sobre nossos ombros. E o Néder, esse querido amigo e companheiro que continua acreditando e lutando pelo socialismo. Foi um verdadeiro coringa no nosso governo, sempre pronto a ajudar no que fosse necessário. Foi chefe de gabinete e, depois, secretário da saúde, quando realizou importante trabalho. Obrigada, portanto, companheiro. Ainda há pouco ele me lembrava de que não tinham sido apenas seis hospitais construídos e postos em funcionamento no nosso governo, mas sete, pois adquirimos um hospital da SAMCIL, que estava desativado, reformamos e pusemos para funcionar, o hospital infantil João XXIII. Portanto, Haddad, avisa aos nossos adversários que não foram seis, mas sete hospitais em apenas 4 anos de governo. Além disso, reformamos e ampliamos o hospital do Tatuapé e construímos dezenas de Unidades Básicas de Saúde.

Eu propus ao Haddad que fôssemos visitar esses hospitais, junto com a população que lutou por eles, para mostrar ao outro candidato que ele está desinformado. O mérito dessas conquistas não é da prefeita de então, mas sim do movimento popular de saúde que lutou bravamente por elas e, portanto, é quem deve ser homenageado e não eu, como sugeriu Haddad. 

Eu sei, Haddad, que você tem uma agenda a cumprir e candidato não pode perder muito tempo em reuniões, até porque todos os  que estão aqui já votam em você e, mais do  que isso, são militantes e apoiadores da sua candidatura. Então, vá fazer campanha em outro lugar. Aqui, seus votos estão garantidos. 
Retomando nossa fala inicial, eu não costumo ler discurso, mas refleti bastante durante os dias que precederam este momento. Foram muitos os questionamentos que me fiz, então resolvi trazer o resultado da minha reflexão por escrito. Não se trata de simplesmente chegar aqui e dizer que apoio Haddad e que vou fazer sua campanha, até porque já afirmei, desde o primeiro momento, que eu e o meu partido, o PSB, estaríamos engajados na luta pela vitória, não apenas de um candidato, mas de um projeto político representado por Fernando Haddad, acreditando ser possível fazer política de forma diferente. 

 Pensei bastante antes de vir aqui para fazer esta declaração e preferi fazê-la por escrito. É uma fala que preparei com muito cuidado e responsabilidade, para que expressasse os reais sentimentos que me movem neste momento, quando se nos apresenta mais uma oportunidade de conquistarmos o poder nesta importante cidade para colocá-lo a serviço do povo.

 Eu quero agradecer a Néder o convite para participar desta plenária e saudar cada uma e cada um de vocês aqui presentes e dizer da minha grande emoção e sentimento de responsabilidade pelo que vou falar aqui depois da posição que assumi diante de fatos recentes do conhecimento de todos e que me custou muito.    

 Estou consciente do simbolismo e da repercussão, junto à sociedade,  de  gestos e atitudes públicas de lideranças políticas, por isso é preciso ter cuidado. Isso significa que a política tem uma dimensão pedagógica que deve ser usada como instrumento para elevar o nível de consciência política da sociedade, em especial dos jovens. 

 Quero dizer, claramente, que não estou revendo minha posição sobre a política de alianças adotada no Brasil. Considero-a equivocada e prejudicial à politização da sociedade e, consequentemente, ao fortalecimento da democracia. Luto contra essa política de alianças desde que cheguei no Congresso Nacional,  há quase 13 anos, quando passei a defender e a lutar por uma reforma  política que promova uma mudança  estrutural do sistema político brasileiro. Não me refiro, tão somente, às eleições que são apenas um momento, embora importante, do processo político e que trata da disputa pela conquista do poder no plano institucional. Estou falando, isto sim, de um sistema que envolve todas as instituições políticas o tempo todo, haja ou não eleições.

Assim, temos que colocar todas as nossas energias, no sentido de pressionar o Congresso Nacional para que elabore e aprove uma reforma do nosso sistema político, de modo a corrigir as distorções do sistema atual e possibilite o aperfeiçoamento e a consolidação da democracia no país. Precisa ser uma reforma estrutural, do sistema como um todo, inclusive do quadro partidário que se exauriu.

Os partidos que existem hoje pouco significam do ponto de vista político-ideológico e não se diferenciam enquanto projetos políticos, do que decorre essa equivocada  política de alianças entre partidos sem qualquer identidade entre si e até antagônicos no que se refere às suas origens e aos seus compromissos históricos.  Portanto, é urgente e absolutamente indispensável que a sociedade coloque na sua agenda a defesa da reforma política e pressione o Congresso para que faça sua parte em relação a isso. Até agora, essa importante demanda da população ao Poder Legislativo tem caído no vazio e tratada com descaso pela maioria de seus membros. Lamentavelmente, muitos parlamentares vêm a reforma política pela ótica do próprio interesse eleitoral imediato. 

Existem hoje, no Brasil, quase 30 partidos e esse número tende a crescer, tal é a facilidade com que se cria um partido e o interesse que existe  em ser dono de um deles, para poder usufruir dos recursos do Fundo Partidário e dispor de alguns segundos do tempo de rádio e televisão para vendê-los a peso de ouro Assim, criar hoje um partido é um grande negócio. Evidentemente isso não pode continuar. É preciso, pois, uma reforma política já.

 No difícil momento em que desisti de compor a chapa de Fernando Haddad, na condição de candidata a vice-prefeita, afirmei que continuaria apoiando e defendendo o projeto que representa a candidatura das forças democráticas e populares ( PT, PSB, PCdoB.). Primeiro, porque acredito no compromisso desses partidos com os interesses da população e Fernando Hadda é, sem dúvida, o melhor candidato.  Segundo, porque quero ter o direito de cobrar o cumprimento desses compromissos do futuro governo da cidade.

Que compromissos são esses? 

_ Prioridade para as políticas sociais como respostas concretas aos direitos sociais e de cidadania da população paulistana.

_ Realizar uma gestão radicalmente democrática: dividindo o poder com o povo, fonte originária do poder; estimulando e apoiando a organização autônoma da sociedade civil como aliada principal e como apoio e sustentação das ações do governo.

_ Governar com transparência e absoluto rigor ético, não só por parte do titular do cargo - o prefeito – mas de todos os membros do governo que deve submeter-se ao controle popular; a ética como um pressuposto e exigência política e não apenas como um dever moral.

_ Um governo que busque a governabilidade, antes de tudo, na aliança com a sociedade civil organizada, garantindo, assim, uma relação autônoma e soberana com o Poder Legislativo e com as outras esferas de  poder do Estado (Estado e União).

Campanha eleitoral 

_Que a campanha eleitoral seja uma oportunidade para se discutir com a população os principais problemas da cidade e de cada região e possíveis soluções criativas e inovadoras para os mesmos.

_Priorizar, durante a campanha, reuniões e encontros de debates como método de construção de uma proposta exequível de programa de governo, resgatando as experiências já testadas e aprovadas dos nossos governos, avaliando-as criticamente; atualizando-as e adequando-as à realidade de hoje.

_Procurar estimular a compreensão sobre a cidade na sua dinâmica e como parte da região metropolitana, na perspectiva de integrar as políticas e ações dos governos municipais que compõem a referida região, buscando a sinergia que potencializará as diversas ações governamentais. Isto supõe liderança e iniciativa política e São Paulo é cidade-polo de uma grande região metropolitana. Governar é mais do que administrar, é ter iniciativa e capacidade de articulação política.

Finalmente, a partir de agora, eu e um grupo de companheiras e companheiros (alguns deles estão presentes nesta plenária) que compartilhamos estas e outras idéias, nos colocamos à disposição da campanha do nosso candidato Fernando Haddad em quem acreditamos e confiamos plenamente. 
Não nos deixemos influenciar por resultados de pesquisa; servem apenas para firmarmos os rumos da campanha que também não deve estar submetida, de forma tão absoluta, à lógica imposta pelos marqueteiros. Não é isso que ganha eleição, mas acreditar na proposta que defendem e passar essa fé a quem se encontrar nas ruas, praças, aglomerados dessa grande e generosa cidade que é São Paulo. Devemos declarar, durante a campanha, nosso amor por ela e fazer um pacto com seus cidadãos e cidadãs de, juntos, buscarmos transformá-la num espaço de convivência solidária, onde todos e cada um e cada uma terão possibilidade de construir-se como cidadãos plenos.  

               Vamos à luta!   Até a VITÓRIA, se DEUS quiser!

sábado, 16 de junho de 2012

Ato de Declaração de apoio do PSB ao candidato do PT Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo


Encontro oficializa a paraibana Erundina como vice de Haddad à Prefeitura de SP
                                                                   Foto: Portal G1

Agradeço a confiança da direção do meu partido na pessoa do nosso presidente governador Eduardo Campos ao me delegar a desafiadora tarefa de integrar a chapa dos partidos do campo democrático popular às próximas eleições, na condição de candidata a vice-prefeita.

Quero agradecer também ao Partido dos Trabalhadores, nas pessoas do seu presidente nacional Rui Falcão e do querido presidente Lula, presidente de honra do P.T., por aceitarem a indicação do meu nome para compor a chapa com o seu, também nosso, candidato Fernando Haddad.

Recebo, sensibilizada e comovida, essa honrosa tarefa com humildade e profundo senso de responsabilidade por tratar-se da disputa do poder na cidade mais importante do país e que já tive o privilégio e a honra de governá-la como militante do Partido dos Trabalhadores.

Confesso que não foi uma decisão fácil e relutei muito em aceitá-la. Porém, em toda a minha trajetória política as tarefas que assumi nunca resultaram de aspiração ou vontade pessoal. Sempre foram decisões partidárias e de setores da sociedade que jamais me neguei a assumir por mais exigentes que fossem.
E também desta vez não seria diferente.

Por que relutei em aceitar?
Primeiro, pelo fato do enorme desafio que significa. Segundo, por ter que deixar o trabalho que venho realizando na Câmara dos Deputados, como representante dos paulistas, e que considero muito importante e do interesse do país.
Refiro-me à atuação do meu mandato em relação, sobretudo, a duas questões:

     1º a Reforma Política; represento a bancada do PSB e a bancada feminina da Câmara dos Deputados na Comissão Especial da Reforma Política que prepara uma proposta de reforma do nosso sistema político; sou também coordenadora da Frente Parlamentar pela Reforma Política com Participação Popular, com importante atuação na sociedade e junto à Comissão Especial da Reforma.

     2º o resgate da memória e da verdade histórica sobre os crimes de violações aos direitos humanos cometidos pelo regime civil-militar no Brasil, no período de 1964 a 1988; Presido a Comissão Parlamentar Memória, Verdade e justiça, no âmbito da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, com o objetivo de acompanhar e contribuir com os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade.

Contudo, conclui que não seria menos importante tentar colaborar com as eleições de São Paulo. Não só para eleger o melhor candidato que participa da disputa eleitoral, mas, sobretudo, para viabilizar um projeto político-administrativo para a cidade, no qual acreditamos, e que será conduzido pelas forças democráticas, sob a liderança e o comando de Fernando Haddad, que, além de jovem, já foi testado quando Ministro da Educação dos melhores governos que o país já teve, que foram os governos Lula e, agora, o governo Dilma Rousseff, primeira mulher presidente da República.

Sem dúvida, nosso candidato tem todas as credenciais para retomar, no governo da capital paulista, as experiências dos governos do P.T. na cidade, recriando-as para responder às exigências dos novos tempos numa metrópole, polo de uma enorme e complexa região metropolitana com acentuado processo de conurbação, o que exige que os problemas de uma cidade, como São Paulo, sejam compreendidos numa perspectiva metropolitana e com planejamento integrado de políticas públicas e ações dos governos locais, voltadas à solução dos múltiplos e complexos problemas da região.   
Ademais, um governo democrático popular, como, certamente, será o nosso, supõe uma gestão radicalmente democrática; com efetiva participação popular nas decisões estratégicas e no controle e fiscalização das ações do governo; em que a ética e a transparência terão um pressuposto e uma exigência que marcarão a ação dos agentes públicos no exercício do governo da cidade; e, ainda, a relação povo/governo terá um caráter pedagógico, de modo a contribuir com a organização política da população, respeitando a autonomia e a independência dos movimentos sociais.

Finalmente, desejo afirmar o quanto me sinto honrada de estar ao seu lado, Fernando Haddad, construindo junto com você e com todas e todos os militantes dos nossos partidos uma campanha criativa, incorporando a mais ampla participação pela sociedade e que já seja prenúncio do que será o nosso governo à frente da Prefeitura de São Paulo.

Há, exatamente, 24 anos, vivemos uma extraordinária experiência na campanha eleitoral de 1988, quando a garra da militância e o sonho de conquistarmos o poder político da maior cidade do país para colocá-lo a serviço, sobretudo, dos segmentos, excluídos da sociedade paulistana viabilizou a realização do primeiro governo democrático popular na cidade de São Paulo.

Com ânimo e a energia dessa militância generosa, temos certeza da vitória do nosso projeto político nas próximas eleições. Estou pronta e motivada para junto com Fernando Haddad, vencer mais esse desafio que Deus e a história colocam sobre nossos ombros.

Vamos à luta! Até a vitória se Deus quiser!   

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

DISCURSO DE FORMATURA DA TURMA DE SERVIÇO SOCIAL DE 1966

A escolha do meu discurso foi anunciada no jornal em 07/12/1966
*Grafia da época

                Anunciada, prematuramente, a escolha do paraninfo único da turma de diplomando da Universidade Federal da Paraíba, verificou-se que o problema permanece em suspenso, aguardando melhor oportunidade para voltar ás cogitações. Decidido ficou foi escolha do intérprete dos diplomados de todas as turmas com a vitória da doutora Luiza Herundina da Silva na prova de seleção recém-promovida sob a supervisão de três notáveis catedráticos. Os vencidos foram dois elementos do sexo masculino que nessa prova foram suplantados pela inteligência e agilidade mental, característica das mulheres bem dotadas mentalmente. Não se queira ver nessa vitoria da jovem bacharela uma prova a mais da superioridade feminina, porque a competição foi posta nesse pé, mas é evidente, que as mulheres abrem caminho a golpe de inteligência ajudadas por dose de audácia e, aos poucos, vão, suavemente, passando os homens para trás. Os competidores da Dra. Luiza foram traquejados nas pugnas oratórias, mais faltou-lhes o sentido da profundidade dos temas abordados e porisso perderam a vez de interpretar os sentimentos e o pensamento de uma turma de diplomandos, onde as diferenças ideológicas repontam a cada passo.  

Veja a foto do momento e o conteúdo do discurso na íntegra:




DISCURSO DE FORMATURA DA TURMA DE SERVIÇO SOCIAL DE 1966
Oradora: Luiza Erundina de Sousa
Data: 18 de Dezembro de 1966

                Agradecemos, do mais íntimo do coração, a honra com que nos distinguistes, escolhendo-nos para intérprete dos vossos sentimentos nesta feliz ocasião.
                Se é difícil comunicar os próprios sentimentos, mais difícil ainda é traduzir sentimentos alheios. Por isso, deixamos que fale, neste momento, a voz do coração.
                Como diz a máxima evangélica, “a boca fala da abundância do coração”. Assim sendo, não nos deve preocupar tanto a palavra a ser dita porque, necessariamente, será a expressão daquilo que está transbordando em nós.
                Um misto de alegria e tristeza nos invade a alma neste instante. Isto poderá parecer um paradoxo, pois como é possível estar alegre e triste ao mesmo tempo? Para nós que o experimentamos é fácil explicar.
                Este momento é, simultaneamente, de festa e de saudade. Daí por que alegria e tristeza. Alegria por vermos coroados de pleno êxito os sacrifícios que os nossos queridos pais se impuseram para que adquiríssemos uma profissão, como a melhor forma de garantirem o nosso futuro. Tristeza imensa pela ausência dos que já se foram, sem ao menos verem realizado talvez o maior sonho de toda sua vida, nossa formatura.
                Nós acompanhamos de perto o seu sacrifício. Testemunhamos suas renúncias. Alguns deles chegaram ao extremo de restringir o próprio orçamento familiar, já bastante parco, para que pudéssemos nos deslocar de longínquos lugarejos do interior até esta Capital ou outros centros do Estado, a fim de freqüentarmos um colégio.
                Se cada um de nós pudesse narrar um pouco a sua história, pelo menos o capítulo que hoje se encerra, veríamos quanto heroísmo, quanta cruz esconde este título que agora nos é conferido. Por isso, nosso coração, neste momento,fala também de gratidão que se estende não só aos nossos caríssimos pais, mas também aqueles que foram a continuação deles, enquanto partícipes do trabalho de formação da nossa personalidade, os prezados mestres.
                Quem não se lembra da figura querida da sua primeira professora? Quem consegue esquecer a marcante personalidade do professor na sua cátedra universitária? Esses dois personagens que ocupam os pólos da nossa vida estudantil envolvem toda uma série de ilustres e devotados mestres a quem muito devemos pelo que somos hoje.
                Consideramos tudo isso um imenso dom que está a exigir uma retribuição. Nós a daremos, fazendo render, ao máximo, os conhecimentos adquiridos para colocá-los a serviço de todos os homens, nossos irmãos.
               
Colegas concluintes:
               
                Abraçamos uma profissão que é antes de tudo, um “serviço” e que corresponde a uma missão especial junto à comunidade humana. Para cumpri-la bem, é necessário que nos impregnemos do verdadeiro humanismo cristão renovado pelo Concílio Vaticano II que recolocou o homem no seu devido lugar, restituindo-lhe a consciência de sua dignidade de filho de Deus e de sua responsabilidade diante dos outros homens e da história.
                Talvez se levante dentro de cada um de nós, neste momento, uma inquietante interrogação, muito natural, aliás, para quem se vê diante de novas perspectivas de vida.
               
- “O que fazer agora?”
               
                O juramento que fizermos contém a resposta exata a esta pergunta, indicando-nos os rumos certos a seguir:

                - “Ser fiel aos preceitos da Justiça e da Caridade no exercício da profissão de Assistente Social;
                - Lutar por condições dignas que permitam o exercício dos direitos fundamentais do humem;
                - Envidar esforços pela realização de um autêntico Serviço Social.”

                Antes de tudo, fidelidade aos preceitos da Justiça e da Caridade, o que corresponde a reconhecer praticamente e fazer respeitar a igualdade essencial entre todos os homens, evitando discriminações na aplicação dos direitos fundamentais da pessoa.
               
                Cumpre-nos, igualmente, lutar por condições de vida mais humanas e mais justas para todos os homens, o que supõe a reformulação das estruturas.
                Nós que encarnamos o Serviço Social e que nos dizemos humanistas e cristãos, devemos ser agentes dessa renovação das estruturas, sob pena de trairmos o nosso juramento.
                Seria oportuno que todos nós, Assistentes Sociais, os de ontem e os de hoje, fizéssemos uma revisão cuidadosa de nossas posições para aquilatarmos até que ponto temos sidos autênticos e coerentes com os nossos princípios.
                Precisamos ser verdadeiros para que acreditem em nós.
                Muitas críticas nos tem sido feitas porque nem sempre procuramos atingir os problemas humanos e sociais em profundidade. Limitamo-nos, frequentemente, a uma atuação empírica e superficial, incapaz, portanto, de dar resposta aos problemas em si tão complexos.
                É perda injustificável de tempo uma ação paliativa sobre os efeitos dos problemas, sem que se vá às suas causas profundas, visando a removê-las.
                Por outro lado, precisamos conhecer profundamente a realidade que nos cerca, a fim de tomarmos posição face a ela e nossa posição deve ser bem definida.
                Na hora presente, não há mais lugar para os neutros. Eles constituem um obstáculo que se tem de remover por estar atrapalhando o processo histórico.
                É necessário ainda que estejamos vigilantes e atentos para não nos comprometermos com aquilo que é injusto e, portanto, contrário aos nossos elevados ideais cristãos e profissionais.
                A nós, Assistentes Sociais, que juramos fidelidade aos preceitos da Justiça e da Caridade, só um compromisso nos é lícito: o compromisso com a Verdade, com a Justiça, com o Amor.
                Muitos nos têm causado, a nós Assistentes Sociais, de espírito burguês. Precisamos nos auto-avaliar séria e honestamente para ver até que ponto isto corresponde à verdade, porque este qualificativo não nos fica muito bem.
                Se alguma pedra tenham, para lançar contra nós que não seja jamais por conivência com os erros da burguesia; por não termos sido fiéis ao supremo ideal de servir e de amar a todos os homens, nossos irmãos, antes de tudo aos mais carentes do nosso serviço e do nosso amor; por não nos identificarmos com suas aspirações mais legítimas; por não fazermos nossas suas angustias e incertezas; por não nos empenharmos decididamente no sentido de garantir a todos os homens o exercício pleno e responsável dos seus direitos e deveres inalienáveis que o próprio Deus lhes conferiu e que injustamente os outros homens lhes negam num atentado grave à ordem estabelecida por Deus.
                Ocorrendo esta grave omissão, é justo, sim, que nos condenem, porque não teremos sido fiéis nem mesmo a nós próprios, já que não correspondemos à nossa vocação.
                Desculpem-nos, queridas colegas, se estivermos diminuindo, com estas palavras assim tão fortes, a justa e merecida alegria deste momento. Mas é que estas idéias são o resultado de um transbordamento impetuoso que, absolutamente, não conseguimos conter, porque de há muito constituem para nós motivo de preocupação, assim como também para vós, pois conhecemos enormes exigências.
                Dirigimo-nos agora ao Exmo. Sr. Governador, para dizer-lhe quanto nos honra aqui, na qualidade de Paraninfo da nossa turma que o escolheu por unanimidade. Assim o fez porque reconhece o seu valor pessoal, enquanto indivíduo e enquanto homem público.
                Acompanhamos com vivo interesse seu esforço tenaz no sentido de imprimir novos rumos aos destinos da Paraíba.
                Vemos que governa com as atenções voltadas para os interesses do povo.
                Tudo isto nos induziu a este gesto espontâneo de consideração para com S. Exia. Que bem o merece por quanto se tem devotado à causa pública, seja em âmbito estadual ou nacional.
                Nós, Assistentes Sociais, temos uma dívida de gratidão para com S. Exia. Por ter colocado à frente da importante Secretaria do Trabalho e Serviços Sociais uma Assistente Social. Isto muito nos honrou pelo que representa de confiança e de deferência para com nossa classe.
                Querendo dar especial destaque, deixamos para o fim nossa palavra de gratidão à Escola de Serviço Social da UFPB, na pessoa da sua digníssima Diretora Madre Maria Franklin, do seu respeitável corpo de onde escolhemos nosso Patrono, o ilustre professor Celso de Paiva Leite, da sua dedicada equipe de Supervisoras e de seus devotados funcionários.
                Graças à grande dedicação daqueles que fazem a Escola de Serviço Social, esta figura entre as poucas Escolas de país que se tornaram pioneiras na reformulação da sistemática do Serviço Social, o que representa um imperativo face ao processo natural de mudança dos quadros sociais.
                Isto muito nos contenta e nos leva a uma atitude de disponibilidade em relação à Escola, no sentido de que também possamos contribuir para a plena realização do importante papel que ela tem a desempenhar no Nordeste.
                Por último, uma palavrinha de despedida e de estímulo às colegas que continuarão o seu curso.
                Nós a deixamos, certas de que continuarão honrando o nome da nossa Escola e elevando sempre mais o conceito do Serviço Social.

                Colegas:

                Confiantes de não vos ter decepcionado no vosso gesto de generosidade, escolhendo-nos para vossa oradora, aqui fica a expressão mais profunda do nosso reconhecimento e sincera amizade.
                Procuremos, durante as últimas semanas que precederam este dia, acostumar-nos à dura realidade de que teríamos de nos separar, porém não o conseguimos. Não é fácil arrancar raízes plantadas há tanto tempo no coração. Mas a vida nos impõe este sacrifício. É que para obtermos os frutos da árvore, é necessário que morra a semente.