sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Início de um novo ciclo

 *Publicado na revista Teoria e Debate - PT 30 anos - Jan/Fev 2010 


Repensar, hoje, o Partido dos Trabalhadores é uma exigência que decorre não apenas do fato de estar completando 30 anos de fundação, mas também porque o país que o viu nascer não é mais o mesmo. O Brasil viveu profundas transformações nas três últimas décadas, especialmente no que se refere ao mundo do trabalho, matriz da qual se originaram os fundamentos daquele novo partido político.

O PT surgiu em uma conjuntura marcada pelo fim da ditadura e início do processo de redemocratização, em um cenário de confrontos e disputas entre os que resistiam ao fim do regime militar e as forças democráticas que construíam o processo de abertura política.

O principal debate travado naquele momento ocorreu sobre o caráter da transição: se era uma transição da ditadura militar para um governo civil; ou se deveria ser a passagem de um regime ditatorial para a democracia. Esta era a posição defendida pelos que construíam os alicerces do "Projeto PT", concebido como um partido socialista democrático.

A criação do PT propiciou uma rica experiência que envolveu os sindicatos de trabalhadores e os movimentos sociais e populares que se dedicaram à luta pela democracia. Assim, o partido é fruto da luta política do povo brasileiro que passou a acreditar em si mesmo e a protagonizar o processo de construção de um novo momento da nossa história política.

A partir de 1982, o partido começou a participar das eleições; conquistou mandatos parlamentares e governos, culminando com a eleição de Lula presidente da República por duas vezes, que, a meu ver, marca o fim de um ciclo histórico-social que teve início com a luta de resistência à ditadura.

O PT cumpriu um papel fundamental na construção do ciclo histórico que, hoje, apresenta sinais de esgotamento, porém, não é mais o mesmo. A realidade brasileira coloca novos desafios, não só para o PT, mas para todas as forças de esquerda e do campo democrático-popular.

Um novo ciclo começa a emergir da mesma fonte que originou o que ora se encerra, ou seja, a luta do povo por direitos e cidadania; por justiça e democracia. Os sujeitos coletivos que o constroem são as forças populares, como o MST, o movimento de mulheres, o étnico-racial e dos homossexuais, o movimento ecológico... Todos os que lutam por mudanças. Esses movimentos nem sempre se expressam politicamente, embora sejam forças sociais importantes, que precisam se articular e definir um rumo a seguir ou um projeto político a construir, tendo como base a realidade concreta do povo.

As forças populares que construíram o PT e elegeram Lula presidente não influenciaram seus governos. Não foram chamadas a participar das decisões estratégicas. Assim, pois, perdemos a oportunidade de iniciar um novo processo político em que a ética pública fosse um pressuposto; e a participação popular, sua marca registrada.

A globalização e a revolução tecnológica impactaram as relações econômicas e a composição social do Brasil. Em razão disso, a sociedade brasileira apresenta, hoje, características diferentes das de trinta anos atrás.

O futuro do PT estará, necessariamente, relacionado à consolidação da democracia e à afirmação do socialismo, fonte de inspiração desde sua origem e utopia que alimenta a militância no curso de sua história.

Além disso, a retomada de seu vínculo com os movimentos sociais e populares supõe a abertura de um novo e criativo debate, com uma agenda que ultrapasse os limites da institucionalidade que tem condicionado a atuação do PT e dos movimentos de sua base.

É preciso resgatar a rica experiência acumulada e preservar o legado deixado pelos petistas que já não estão entre nós e ajudaram a cavar os alicerces que ainda hoje sustentam o belo sonho chamado PT. Nossas homenagens aos petistas de ontem e de hoje.

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